Com a divulgação do trailer de O Diabo Veste Prada 2, uma mensagem se impõe com clareza cristalina: a moda internacional voltou a olhar para a Itália não como cenário, mas como autoridade estética. O novo capítulo da franquia abandona qualquer exotismo turístico e escolhe lugares que funcionam como códigos de poder, disciplina e legado. Poucos segundos de imagens bastam para entender o movimento. Saltos ecoando em pedras históricas, silhuetas rigorosas contra arquiteturas clássicas, olhares que não pedem licença. A moda, aqui, não acompanha a narrativa, ela conduz.
Milão: onde a moda governa
Milão surge no trailer como o verdadeiro centro nervoso do filme. Não é apenas a capital italiana da moda, mas um sistema fechado, sofisticado e altamente simbólico. Das ruas de Brera à precisão quase cirúrgica da Via Montenapoleone, a cidade é filmada como quem conhece intimamente o seu poder. A Galleria Vittorio Emanuele II transforma o ato de circular em coreografia, enquanto a área da Scala confere institucionalidade ao universo editorial de Runway. Nada é casual: Milão não seduz, seleciona. O momento mais emblemático já perceptível no trailer é a presença de Miranda Priestly em um desfile real, durante a semana de moda. Cinema e indústria se fundem. Não se trata de product placement, mas de legitimação mútua entre ficção e sistema fashion.
Lago de Como: o luxo que se retira
Quando a narrativa se desloca para o Lago de Como, o tom muda. As imagens da Villa del Balbiano introduzem um luxo silencioso, quase aristocrático. Aqui, o poder não precisa ser visto o tempo todo ele se permite a distância. É o contraponto perfeito a Milão: se a cidade é comando, com é estratégia. Um luxo que não compete, não explica, não se justifica. Apenas existe.
Villa Arconati: a moda como corte
O trailer também sugere sequências ambientadas na Villa Arconati, conhecida como a “Versailles lombarda”. O simbolismo é direto: a moda como corte contemporânea. Festas, alianças, presença social como ferramenta política. Aqui, os vestidos não são expressão pessoal. São instrumentos de posicionamento. A estética é barroca, mas a lógica é atualíssima.
O que o trailer realmente revela
O trailer de O Diabo Veste Prada 2 não entrega a trama entrega o clima. E o clima é de retorno à hierarquia, à história, à moda como linguagem de poder. A escolha da Itália reforça essa leitura: tradição não como nostalgia, mas como capital simbólico. Num momento em que o fashion system busca novas âncoras de sentido, o filme aponta para o sul da Europa e afirma, sem rodeios: o luxo volta a falar italiano.

