Mesmo em um cenário internacional marcado por incertezas e conflitos, os italianos não abrem mão de viajar na Páscoa. Segundo estimativas de entidades do setor turístico, mais de 9 milhões de pessoas devem se deslocar durante o feriado, confirmando a força de uma tradição profundamente enraizada no país.
O número é ligeiramente inferior ao do ano passado, reflexo de um clima global mais instável, mas ainda assim expressivo. A Páscoa, na Itália, continua sendo um momento-chave para pequenas viagens, encontros familiares e escapadas curtas, muitas vezes organizadas de última hora.
A tendência dominante em 2026 é a prudência. A maioria dos italianos opta por destinos próximos e estadias breves. Cerca de 84% permanecem dentro do país, enquanto apenas uma pequena parcela escolhe destinos internacionais. Regiões como Toscana e Campânia estão entre as mais procuradas, mas o verdadeiro protagonista continua sendo o turismo doméstico.
Um em cada três viajantes deve passar o feriado na casa de parentes, amigos ou em uma segunda residência. As viagens também são mais curtas: a maior parte não ultrapassa dois dias, reforçando a ideia de um turismo de proximidade, mais flexível e adaptado ao momento.
Viajar na Páscoa, para os italianos, é quase um ritual. Seja para aproveitar os primeiros dias de primavera, seja para reunir a família em torno da mesa, o feriado combina deslocamento e tradição.
Mas, neste ano, as escolhas são influenciadas por um fator externo: o cenário geopolítico. Cerca de 22% dos italianos mudaram seus planos, enquanto outros ainda aguardam os desdobramentos internacionais antes de decidir. A percepção de segurança tem papel central. A Itália continua sendo vista como um destino confiável, o que favorece as viagens internas, mas reduz a disposição para percursos mais longos.
Se o turismo doméstico resiste, o internacional já sente os efeitos. Nas primeiras semanas de tensão global, foram registradas mais de 7 mil reservas canceladas ou alteradas, com impacto econômico próximo de 100 milhões de euros.
Além disso, o aumento no preço das passagens aéreas, impulsionado pelas instabilidades no Oriente Médio, torna as viagens de longa distância ainda menos acessíveis. Em alguns casos, os custos chegaram a subir até 60% em relação ao ano anterior. Esse cenário preocupa especialmente o setor hoteleiro, que depende de turistas vindos de mercados como Estados Unidos e Ásia, responsáveis por uma fatia relevante das presenças estrangeiras no país.
O que emerge é um retrato de adaptação. Os italianos continuam viajando, mas de forma mais cautelosa, privilegiando proximidade, segurança e flexibilidade. Entre colinas, cidades históricas e almoços de Páscoa em família, o país mantém viva uma tradição que resiste mesmo em tempos incertos. E, talvez justamente por isso, viajar menos longe não significa viajar menos mas viajar de outra maneira.
Mesmo com crise global, 9 milhões de italianos viajam na Páscoa

