Fevereiro em Roma tem uma luz própria. O ar ainda é de inverno, mas já atravessado por uma energia leve, irreverente, quase infantil. É o sinal de que o Carnaval está de volta. Em 2026, a festa entra no clima de quinta-feira, 12 de fevereiro (Quinta-feira Gorda), até terça-feira, 17 de fevereiro (Terça-feira Gorda), num crescendo de eventos que atravessa toda a semana e atinge o auge no fim de semana central.
Em Roma, o Carnaval nunca teve um único centro, nem um grande desfile monumental. Aqui, a festa é difusa, espontânea, quase teatral. Caminhando por Piazza Navona, Via del Corso e Piazza del Popolo, sobretudo entre sábado, 14, e domingo, 15 de fevereiro, encontram-se famílias fantasiadas, crianças com o rosto pintado, artistas de rua improvisando espetáculos entre risadas e música. É um Carnaval que não se anuncia com solenidade, mas que se descobre aos poucos, seguindo o som de um tambor ou o estouro repentino dos confetes.
No coração da cidade, as tardes especialmente as do fim de semana são dedicadas às crianças: oficinas criativas, animação e brincadeiras transformam as praças em verdadeiras salas de estar ao ar livre, acompanhadas pelo perfume inconfundível dos doces típicos de Carnaval. Ao cair da noite, sobretudo entre sexta-feira, 13, e segunda-feira, 16 de fevereiro, Roma muda de pele. Palácios históricos, teatros, clubes e rooftops recebem bailes e festas à fantasia, entre música ao vivo e DJs, onde a tradição encontra a estética contemporânea.
Fora da Capital, o calendário se estende e a festa se multiplica. Nos Castelli Romani e nos municípios da província, o Carnaval ganha forma principalmente nos domingos de 8 e 15 de fevereiro, quando as ruas se enchem de carros alegóricos, bandas musicais e sátira popular. Em Frascati, Genzano di Roma e Velletri, os desfiles se tornam verdadeiros eventos comunitários, preparados por semanas e capazes de atrair visitantes também de Roma.
No litoral, o Carnaval encontra o mar. Em Fiumicino, as celebrações se concentram nos domingos de Carnaval, com desfiles ao longo da orla, festas para crianças e concursos da fantasia mais original, em uma atmosfera mais descontraída, mas igualmente participativa.
E há, ainda, os vilarejos que fazem do Carnaval um verdadeiro rito de identidade. Em Tivoli, o cortejo de máscaras anima o centro histórico entre o fim de semana central e a Terça-feira Gorda, enquanto um pouco mais adiante Ronciglione vive seu Carnaval mais espetacular justamente nos dias-chave, com uma sequência de desfiles, música e festas que transformam a cidade em um grande palco a céu aberto.
A Terça-feira Gorda, 17 de fevereiro, encerra simbolicamente a festa. Os confetes pousam no asfalto, as máscaras voltam para os armários, mas fica aquela sensação típica do Carnaval romano: a certeza de que, mesmo sem um único grande evento central, Roma e seu território ainda sabem contar a festa mais livre do ano cada um à sua maneira.

