qui. mar 5th, 2026

Export italiano começa 2026 em queda e o Mercosul está no centro do debate


O comércio exterior italiano começou 2026 em marcha lenta. Segundo dados divulgados pelo Istat, as exportações da Itália para países fora da União Europeia registraram queda de cerca de 6% em janeiro, revertendo o crescimento observado no fim de 2025. A desaceleração foi puxada principalmente pela forte redução nas vendas de energia e de bens de capital, dois dos pilares tradicionais do comércio italiano.


Mas, por trás dos números, aparece um cenário mais complexo. Entre os mercados que mais recuaram estão justamente os países do Mercosul, com uma queda de 18,5% nas exportações italianas, um dado que inclui economias como Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai. Ao mesmo tempo, as importações italianas vindas do bloco cresceram 1,9%, mostrando que a relação comercial continua ativa — e estratégica.

Apesar da queda pontual, o Mercosul continua sendo visto pelas empresas italianas como um mercado essencial para o futuro do comércio exterior. O Brasil, maior economia do bloco e principal parceiro da Itália na região, aparece com frequência nas estratégias de expansão de empresas italianas ligadas à indústria, tecnologia e agronegocio.

A desaceleração registrada em janeiro reflete sobretudo um momento de ajuste global. As vendas de bens de capital, como máquinas e equipamentos industriais — uma das especialidades da indústria italiana — caíram cerca de 15%, enquanto as exportações de energia tiveram retração ainda mais forte, de 38%.

Ao mesmo tempo, alguns segmentos continuam mostrando dinamismo. As exportações de bens intermediários, por exemplo, cresceram mais de 5%, sinalizando que as cadeias produtivas internacionais seguem demandando componentes industriais italianos.

Nesse contexto, cresce a expectativa em torno do acordo comercial entre a União Europeia e o Mercosul, considerado por empresários italianos uma oportunidade decisiva para ampliar o comércio bilateral.

O tratado já foi ratificado nos parlamentos de Uruguai e Argentina (Brasil e Paraguay esperam concluir o processo nesta semana), e a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, indicou recentemente que o acordo poderia ser aplicado provisoriamente nos próximos dias. Para as empresas italianas, a entrada em vigor do acordo poderia reduzir tarifas e facilitar a exportação de produtos industriais, alimentos e tecnologia para mercados latino-americanos.

Em um momento em que as exportações enfrentam pressões em mercados tradicionais — como Estados Unidos e Reino Unido — a abertura de novas oportunidades comerciais no Mercosul ganha ainda mais relevância.

A queda nas exportações italianas não se limita à América do Sul. Em janeiro, também houve retração nas vendas para Japão (-16,2%), Reino Unido (-14,8%), países do Sudeste Asiático (-7,1%) e Estados Unidos (-6,7%).

Por outro lado, alguns mercados avançaram. As exportações para a Suíça cresceram mais de 15%, enquanto as vendas para a China aumentaram cerca de 14,5%.
Apesar das oscilações, o saldo comercial italiano com países fora da União Europeia permanece positivo, com um superávit de cerca de 2,1 bilhões de euros em janeiro.

Para economistas e empresas, o início de 2026 reflete sobretudo um momento de transição no comércio internacional. Em um cenário global marcado por tensões geopolíticas e mudanças nas cadeias de produção, países como o Brasil e o restante do Mercosul podem se tornar parceiros ainda mais importantes para a indústria italiana.

Se o acordo entre União Europeia e Mercosul avançar, a relação econômica entre as duas regiões poderá entrar em uma nova fase — com mais investimentos, mais exportações e uma integração comercial mais profunda entre Itália e América do Sul.

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