Roma Termini fica para trás no início da manhã, quando a cidade ainda se move entre sombras e luzes artificiais. A estação é um espaço de passagem, nunca de permanência. O trem parte pouco depois das seis, e o relógio indica algo em torno de três horas e meia até o destino, um tempo que, logo, começa a perder sua rigidez.
Nos primeiros quarenta minutos, o Lácio se estende calmo, ainda preso à noite que se despede. Os campos baixos e as construções dispersas acompanham o ritmo inicial do trem, enquanto o dia se organiza aos poucos. Dentro do vagão, o tempo começa a se acomodar, deixando de ser contagem para virar sensação.
Quando pouco mais de uma hora já ficou para trás, a Toscana aparece sem alarde. Colinas suaves, linhas de vinhedos, pequenas cidades que parecem existir fora da urgência moderna. A paisagem convida o olhar a desacelerar, mesmo enquanto o trem avança em alta velocidade. Aqui, o tempo se dilata.
Depois de cerca de duas horas de viagem, a Emilia-Romagna se abre ampla e regular. A planície se estende como um pensamento contínuo, sem curvas nem interrupções. Os minutos se sucedem com naturalidade, quase imperceptíveis, acompanhando campos cultivados, estradas paralelas e canais discretos.
À medida que a terceira hora se aproxima, o norte começa a se afirmar. A paisagem ganha definição, o relevo reaparece, e o Vêneto se anuncia com uma ordem tranquila. O tempo parece se recompor, retomando gradualmente sua forma, como se estivesse preparando o viajante para o retorno à cidade.
Nos últimos vinte minutos, os sinais urbanos se multiplicam. O trem desacelera suavemente, e a viagem começa a se fechar sobre si mesma. Depois de pouco mais de três horas e meia, Verona se apresenta sem pressa, com a elegância contida de quem não precisa se explicar.
Verona Porta Nuova recebe o viajante com discrição. Ao descer do trem, o ar é mais estável, o ritmo mais preciso. A cidade não se impõe: convida à observação, ao passo medido, à permanência consciente.
A viagem de Roma a Verona não é apenas uma distância percorrida em poucas horas. É uma travessia gradual entre geografias, ritmos e estados de espírito. Um deslocamento em que o tempo não é adversário, mas companheiro.
Porque há viagens que não servem apenas para chegar.
Servem para preparar o olhar.


