Milão é uma cidade que já não pede mais licença. Não quando decide mudar de pele, não quando relê seus símbolos, não quando transforma um ícone controverso em um palco aceso de luzes, música e pratos que vêm de longe. A Torre Velasca, por décadas amada e criticada com a mesma intensidade, deixa de ser apenas um edifício e passa a ser uma experiência. E faz isso a partir da comida, que em Milão nunca é só comida.
Após uma restauração profunda, assinada pelos desenvolvedores da Hines e conduzida pelo escritório Asti Architetti, a torre brutalista mais famosa da Itália ressurge com fachadas renovadas, nova iluminação e uma Piazza Velasca finalmente pedestrianizada e verde. Mas a verdadeira mudança não é estética. É cultural. A Velasca deixa de ser um lugar para ser observado à distância e se transforma em um espaço para ser vivido, atravessado, consumido, habitado a qualquer hora do dia e da noite. Residências de luxo, escritórios, bem-estar, varejo e gastronomia se encaixam em uma visão que olha mais para Nova York ou Dubai do que para a Milão do passado.
Nesse novo roteiro vertical, no primeiro andar, no dia 28 de janeiro de 2026, inaugura a primeira unidade italiana do Sushisamba. E isso não é um detalhe.
O Sushisamba não é apenas um restaurante. É um conceito que nasceu em Nova York, em 1999, e que ao longo dos anos construiu uma identidade muito clara: misturar cozinha japonesa, brasileira e peruana, fundindo técnica, cor, música e entretenimento. É a cozinha Nikkei que sai do prato e vira atmosfera, performance, noite que se estende. Não por acaso, o grupo escolheu cidades onde o ato de comer faz parte do espetáculo urbano: Londres, Dubai, Las Vegas, Singapura, Doha, Abu Dhabi, Riade, Edimburgo, Bahrein. Agora, Milão.
Quem traz o Sushisamba para a Itália é o Sunset Hospitality Group, um grupo internacional que fez da experiência o seu manifesto, atuando entre gastronomia, nightlife, hotéis e clubes. Depois da chegada ao Gran Meliá do Palazzo Cordusio, a escolha da Torre Velasca é uma declaração clara: Milão não é mais apenas uma capital gastronômica, mas uma plataforma global de lifestyle. Colocar o Sushisamba dentro de um dos símbolos arquitetônicos mais controversos da cidade significa afirmar que a nova Velasca não é nostalgia restaurada, mas um futuro habitável.
O espaço ocupa o primeiro andar da torre e foi pensado como um percurso. Sala principal, sushi bar, cocktail bar, uma sala privativa para poucos convidados e, sobretudo, o coração do projeto: a Sambaroom. Um ambiente “secreto” que entra em cena quando o jantar termina ou talvez quando ele realmente começa. Aqui a música sobe, entram DJs, performances ao vivo, drinks e light bites até tarde da noite. A ideia é simples e poderosa: no Sushisamba não se vai apenas para comer, mas para ficar.
O menu percorre a Ásia e a América do Sul com uma proposta claramente premium. Os pratos nascem para ser compartilhados, comentados, fotografados, mas principalmente saboreados sem pressa. Edamame, gyoza, tempurás e guacamole com aji amarillo abrem caminho para propostas mais ousadas, como os taquitos crocantes de lagosta, wagyu ou tofu. Os pratos crus são o coração identitário do projeto: ostras, tiradito de salmão com laranja e quinoa crocante, ceviches de atum, robalo ou tofu, enriquecidos com milho peruano, cítricos e jogos de textura. Para os amantes do sushi, niguiris, sashimis e rolls clássicos convivem com criações como o The Royal, onde wagyu japonês, caviar, missô barbecue e alho crocante constroem um prato que é uma declaração de estilo.
O momento mais teatral da refeição chega com a Robata, a grelha japonesa a carvão. Por ali passam frango, berinjela ao missô branco, salmão teriyaki com limão, black cod ao missô, até lagosta com manteiga de yuzu e carnes nobres como short ribs australianas, filé de Black Angus e wagyu. O final fica por conta dos Clay Pots, grandes panelas de terracota onde o arroz cozinha lentamente, do arroz com frutos do mar ao arroz crocante com cogumelos, trufas e ovo onsen.
A carta de drinks também faz parte da narrativa. Os coquetéis seguem as três almas do Sushisamba: Brasil, Japão e Peru. Caipirinhas tropicais e sabores da Fruteria do Brasil convivem com drinks à base de whisky, saquê e pisco, enriquecidos com yuzu, shiso e fermentações. Dos signatures como o Mizuwari às releituras urbanas dos grandes clássicos, passando por mocktails tratados com o mesmo cuidado dos drinks alcoólicos, tudo contribui para criar uma experiência que não se encerra rapidamente.
Com o Sushisamba, a Torre Velasca deixa definitivamente de ser um símbolo imóvel. Torna-se um lugar que vibra, come, dança. Milão, mais uma vez, não copia: absorve, reelabora, relança. E desta vez faz isso a partir de um sushi que fala português, japonês e espanhol, mas pensa em milanês.
Serviços
Endereço:
Torre Velasca 1º andar
Piazza Velasca, 5
20122 – Milão (MI), Itália

