qua. jan 21st, 2026

Brasileiros podem herdar fortuna do estilista italiano Valentino: o que está em jogo

A morte de Valentino Garavani, aos 93 anos, reacendeu uma curiosidade que atravessa o Atlântico e interessa diretamente ao público brasileiro. Parte do vasto patrimônio do estilista italiano pode ter como destino dois brasileiros, Anthony e Sean de Souza, apadrinhados por Valentino ainda na infância e ligados a uma das relações mais duradouras de sua vida pessoal e profissional.

Valentino não teve filhos, e a sucessão de seus bens deverá ser definida por testamento. Entre os herdeiros potenciais aparecem nomes do seu círculo afetivo mais próximo, entre eles Carlos “Cacá” de Souza, brasileiro que conheceu o estilista no Rio de Janeiro em 1973, quando os dois viveram um relacionamento e iniciaram uma parceria profissional que durou décadas. Cacá tornou-se um dos principais representantes da marca Valentino no mundo e manteve uma relação de confiança com o criador mesmo após o fim do romance.

Foi nesse contexto que Valentino e seu histórico sócio, Giancarlo Giammetti, tornaram-se padrinhos de Anthony e Sean. Segundo relatos revelados pela imprensa internacional, o estilista sempre fez questão de garantir estabilidade financeira aos dois jovens, o que agora levanta a possibilidade concreta de que eles figurem entre os beneficiários da herança.

Estimar o valor exato do patrimônio de Valentino Garavani não é simples. Diferentemente de outros grandes nomes da moda italiana, ele vendeu sua maison ainda em 1998, por cerca de 500 bilhões de liras, e desde então seu patrimônio passou a ser composto principalmente por bens privados, imóveis históricos, obras de arte, participações societárias e ativos financeiros dispersos em diferentes países.

Entre os principais bens conhecidos estão: a villa em Roma, na região da Via Appia, com mais de 30 cômodos, oficialmente avaliada em 1,6 milhão de euros, mas com valor de mercado muito superior. O Castelo de Wideville, perto de Paris, adquirido nos anos 1990 por cerca de 12,3 milhões de euros, hoje considerado o “joia da coroa” do patrimônio e avaliado em cifras muito mais elevadas. O iate T.M. Blue One, de 46 metros, avaliado atualmente em cerca de 12,4 milhões de euros, com custos anuais de manutenção superiores a 1 milhão. Diversas estruturas financeiras e imobiliárias no Reino Unido, França, Itália e na ilha de Guernsey, além de coleções de arte, móveis históricos e investimentos fora do radar público.

Especialistas italianos apontam que, embora o patrimônio seja expressivo, ele não atinge níveis bilionários, ficando abaixo das grandes fortunas industriais do país. Ainda assim, trata-se de uma herança multimilionária, cuja divisão poderá assegurar a Anthony e Sean de Souza um lugar relevante entre os beneficiários.

Mais do que cifras, o caso chama atenção pelo aspecto humano e simbólico. A possível inclusão de brasileiros na sucessão de um dos maiores ícones da moda italiana evidencia como a vida de Valentino foi marcada por relações internacionais profundas, especialmente com o Brasil. Para o público brasileiro, a história mistura moda, afeto, cultura e herança — e mostra que, às vezes, o legado de um gênio criativo vai muito além das passarelas.

A definição final dependerá do conteúdo do testamento e das decisões legais conduzidas por seus administradores de confiança. Até lá, a herança de Valentino Garavani segue como um dos capítulos mais intrigantes do mundo da moda internacional, com o Brasil ocupando um lugar inesperado nessa história.

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