seg. mar 9th, 2026

Brasil ratifica acordo UE-Mercosul e abre nova fase para comércio


Depois de mais de duas décadas de negociações, um passo decisivo acaba de ser dado. O Congresso brasileiro ratificou o acordo comercial entre a União Europeia e o Mercosul, consolidando um movimento que já havia sido aprovado pelos parlamentos da Argentina e do Uruguai. A decisão, celebrada com aplausos no Senado, coloca o Brasil no centro de um tratado considerado histórico para as relações econômicas entre Europa e América do Sul.
A proposta foi aprovada por unanimidade no Senado após receber sinal verde também na Câmara dos Deputados. Para a senadora Tereza Cristina Corrêa da Costa, relatora do projeto, o acordo deve ampliar a presença do Brasil no mercado europeu e dar novo impulso à economia do país. “É um acordo histórico”, afirmou, destacando que o tratado permitirá expandir o acesso de produtos brasileiros à Europa.

O acordo entre União Europeia e Mercosul — bloco formado por Brasil, Argentina, Uruguai, Paraguai e Bolívia (em processo de adesão) — foi assinado em janeiro em Assunção, no Paraguai, após 25 anos de negociações. O pacto cria uma das maiores áreas de livre comércio do mundo, reunindo cerca de 700 milhões de consumidores e aproximadamente 25% do PIB global.

Além de regular o comércio de bens e serviços entre os dois blocos, o tratado prevê a eliminação progressiva de grande parte das tarifas, especialmente para produtos agrícolas e industriais. O presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva foi um dos principais defensores do acordo, ressaltando seu potencial para fortalecer o comércio internacional do Brasil, um dos maiores exportadores agrícolas do planeta.

A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, anunciou recentemente que o pilar comercial do acordo entrou em vigor de forma provisória após a ratificação por Argentina e Uruguai. Para que o tratado passe a valer plenamente, ainda será necessária a aprovação do Parlamento Europeu, além de uma avaliação jurídica do Tribunal de Justiça da União Europeia.

Para países europeus como a Itália, o avanço do acordo é visto como uma oportunidade estratégica. O Brasil já é um dos principais parceiros comerciais italianos na América Latina e figura frequentemente entre os mercados prioritários para a expansão do Made in Italy, especialmente em setores como máquinas industriais, tecnologia, agroalimentar e equipamentos elétricos.

Empresas italianas têm defendido o acordo UE-Mercosul como uma forma de reduzir tarifas, facilitar investimentos e ampliar a presença de produtos europeus na América do Sul. A entrada em vigor do tratado poderia criar condições mais favoráveis para o comércio bilateral e abrir novas oportunidades para exportadores italianos.

Se totalmente implementado, o acordo pode redesenhar as relações comerciais entre os dois blocos. Para o Mercosul, significa acesso ampliado a um dos maiores mercados consumidores do mundo. Para a União Europeia, representa a chance de fortalecer laços com economias emergentes e diversificar parcerias em um cenário global cada vez mais competitivo.

Nesse contexto, o Brasil aparece como protagonista. Como maior economia da América Latina e principal motor do Mercosul, o país desempenha papel central na construção dessa ponte econômica entre os dois continentes.
Depois de 25 anos de negociações, o acordo UE-Mercosul parece finalmente entrar em uma nova fase e pode transformar o comércio entre Europa e América do Sul nas próximas décadas.

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