O comércio entre a região italiana da Sardegna e a América do Sul ainda é pequeno, mas mostra sinais claros de crescimento. Dados do escritório de estudos da Confartigianato Sardegna indicam que o Brasil já é o principal destino sul-americano das exportações sardas, concentrando cerca de 60% das vendas da ilha para a região.
No total, as exportações da Sardenha para países do Mercosul — Brasil, Argentina, Uruguai, Paraguai e Bolívia — somam 46 milhões de euros, o equivalente a 0,8% do total exportado pela ilha. Embora a participação ainda seja limitada, empresários e analistas apontam o mercado sul-americano como uma rota com potencial de expansão em um cenário internacional cada vez mais competitivo.
Depois do Brasil, o segundo principal destino é a Argentina, responsável por 38,5% das exportações sardas para a região. Os outros mercados aparecem com participação muito menor: Uruguai representa 0,8%, Paraguai cerca de 0,1%, enquanto não há registros recentes de exportações para a Bolívia.
Os produtos enviados da Sardenha para a América do Sul são principalmente industriais. Dos 46 milhões de euros exportados, cerca de 33 milhões correspondem a produtos químicos, 10 milhões a máquinas e equipamentos industriais e 1,3 milhão ao setor da madeira. Outros segmentos — como alimentos, bebidas, equipamentos elétricos, metais e borracha — ainda têm participação mais limitada.
Isso mostra que o comércio atual é dominado por produtos com maior conteúdo tecnológico e industrial. Curiosamente, o setor agroalimentar — frequentemente associado à imagem do Made in Italy no exterior — ainda possui amplo espaço para crescer nesses mercados.
Para Giacomo Meloni, presidente da Confartigianato Sardegna, o contexto internacional está levando muitas empresas a explorar novos destinos comerciais. Segundo ele, as tensões políticas e econômicas globais estão incentivando as empresas da ilha a olhar com mais atenção para mercados até então pouco explorados.
Nesse cenário, o bloco do Mercosul surge como uma alternativa interessante. As economias da região apresentam uma demanda crescente por produtos de qualidade, e o selo Made in Italy continua associado a confiabilidade, design e alto padrão de produção.
Mesmo assim, a América do Sul ainda representa uma pequena parcela do comércio exterior sardo. A maior parte das exportações da ilha continua concentrada na União Europeia, que absorve cerca de 1,8 bilhão de euros, enquanto os mercados fora do bloco europeu somam mais de 4,3 bilhões de euros.
Para ampliar a presença internacional das pequenas e médias empresas sardas, especialistas destacam que não basta reduzir tarifas comerciais. Também são necessários programas de apoio, informações de mercado e instrumentos que ajudem os empresários a lidar com riscos operacionais e geopolíticos.
Nesse processo de diversificação, o Brasil aparece como uma porta de entrada natural para o mercado sul-americano e um parceiro cada vez mais relevante para o Made in Italy vindo da ilha mediterrânea.
Brasil lidera importações do Made in Sardegna na América do Sul

