Para muitos brasileiros, o nome Abruzzo ainda soa distante. E talvez seja
justamente esse o seu maior trunfo. Encravada entre o mar Adriático e a cadeia
dos Apeninos, no centro da Itália, a região é um daqueles lugares onde montanhas
nevadas, parques naturais, vilarejos medievais e praias tranquilas convivem em
poucos quilômetros. Em 2025, esse equilíbrio discreto virou sucesso: o Abruzzo
superou 8,8 milhões de presenças turísticas, o melhor resultado de sua
história recente.
Os números confirmam uma tendência que se percebe caminhando pelas ruas de
pedra dos borgos ou pelas trilhas do Gran Sasso. Em relação a 2024, o turismo cresceu mais de
23%, com chegadas em alta e uma presença estrangeira cada vez mais visível. É
justamente esse dado internacional que chama a atenção das autoridades locais:
o mercado externo cresceu mais de 40%, sinal de que o Abruzzo começa a entrar no
radar de quem busca uma Itália menos óbvia.
Parte desse movimento passa pelo aeroporto de Pescara, que ampliou conexões e facilitou a chegada de
viajantes de fora. Mas não é só logística. O crescimento reflete uma mudança
mais profunda: hotéis familiares renovados, restaurantes que valorizam produtos
locais, experiências ligadas à natureza e um turismo mais atento à qualidade do
que à quantidade.
Historicamente conhecido pelo litoral, especialmente pela costa de Teramo, o Abruzzo começa a mostrar outra face. A província de
L’Aquila liderou o crescimento, impulsionada pelo turismo de
montanha, pelos parques nacionais e por uma rede de serviços que soube
acompanhar a demanda. É o sinal de um viajante diferente, interessado em
caminhar, provar queijos artesanais, dormir em vilarejos silenciosos e acordar
com vista para vales e picos.
Isso não significa abandonar o mar. As praias continuam sendo o coração do
verão, mas agora dividem espaço com um turismo de interior que cresce fora da
alta temporada e ajuda a redesenhar o calendário da região. Para quem vem do
Brasil, acostumado a destinos intensos e superexpostos, o Abruzzo oferece outra
Itália: mais lenta, mais verde e surpreendentemente autêntica.
Talvez por isso o recorde de 2025 diga mais do que um número. Ele conta a
história de uma região que, sem fazer barulho, começou a se deixar descobrir.
Abruzzo conquista viajantes e bate recorde com 8,8 milhões de turistas em 2025

