qua. fev 11th, 2026

Sul da Itália aposta no Brasil e vê no Mercosul uma nova saída comercial

Italy and European Union Flags on the Venetian Style Building.

O Sul da Itália busca novos mercados para enfrentar um cenário internacional
cada vez mais instável. Foi esse o eixo do encontro realizado na sede da
Confindustria Taranto, dedicado às relações comerciais entre Itália e Brasil e às
oportunidades abertas pelo acordo entre a União Europeia e o
Mercosul.

Empresários, representantes institucionais e diplomáticos discutiram como o
Mezzogiorno pode reforçar sua presença fora da Europa, apostando em mercados
considerados estratégicos, a começar pelo Brasil. Um país visto não apenas como
destino de exportação, mas como parceiro industrial e comercial de longo prazo.

Durante o encontro, o embaixador do Brasil na Itália,
Renato Mosca de Sousa, destacou os objetivos centrais do acordo UE–Mercosul.
“A ideia é chegar à eliminação de todas as tarifas entre nós, especialmente nos
setores importantes que já fazem parte das relações econômico-comerciais, como
o setor automotivo, farmacêutico, têxtil e de máquinas industriais”, afirmou á imprensa local.

Segundo o diplomata, a abertura do mercado sul-americano pode surpreender o
tecido produtivo italiano. “Será uma surpresa para os italianos a abertura ao
mercado do Mercosul e, sobretudo, do Brasil. Haverá uma invasão de produtos
italianos no Brasil, produtos admirados, de alta qualidade”, acrescentou.

Mosca de Sousa também abordou um dos pontos mais sensíveis do debate, as
preocupações do setor agrícola italiano. “As preocupações do setor agrícola são
importantes e devem ser ouvidas, mas é importante dizer aos agricultores
italianos que eles só terão benefícios com a abertura do mercado. Não haverá
nenhuma invasão de produtos sul-americanos ou dos nossos produtos. Por exemplo,
a carne do Mercosul já está aqui: a cota do acordo é de 99 mil toneladas e já
exportamos 150 mil. Não haverá invasão nem concorrência desleal com os
agricultores locais”, concluiu.

Do ponto de vista das empresas do território, o acordo é visto como uma resposta
a um contexto global mais complexo. Para Anda Furfaro, vice-presidente da Confindustria Taranto, o tema
deixou de ser apenas diplomático e se tornou uma necessidade concreta.
“Neste momento, o acordo UE–Mercosul está na boca de todos. As tarifas impostas
pelos Estados Unidos criam problemas internacionais e é necessário encontrar
outros mercados. Esta é a oportunidade que temos em Taranto para nos abrir a um
mercado novo e muito importante, onde já existem muitos empresários italianos
que trabalham há muitos anos. Um mercado ainda a ser descoberto, mas estamos
abertos a novas possibilidades”, afirmou.

O encontro reforçou a ideia de que, para o Sul da Itália, o Brasil não é mais um
mercado distante, mas uma opção estratégica em um processo de diversificação
das relações econômicas. Em um cenário de tensões comerciais globais, o eixo
Itália–Brasil aparece como uma das apostas mais concretas para o futuro do
Mezzogiorno.

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