seg. fev 9th, 2026

Na escola confiar em um adulto faz diferença e vira política de cuidado, aponta estudo

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Confiar em alguém quando o mundo parece grande demais é um gesto simples, mas
decisivo. Para a maioria dos estudantes brasileiros, esse alguém está dentro da
escola. É o que mostra o relatório nacional Semana da Escuta das Adolescências,
divulgado em 2025 pelo Ministério da Educação. O dado ajuda a entender por que, cada vez mais, o cuidado deixou de ser
apenas uma postura individual e passou a ser tratado como política institucional
no ambiente escolar.

Nesse contexto, a Escola Lourenço Castanho formalizou um Documento de Salvaguarda, reunindo
diretrizes claras sobre proteção, convivência e responsabilidade coletiva. A
ideia é simples e ambiciosa ao mesmo tempo: transformar valores já vividos no
cotidiano em práticas explícitas, compartilhadas e assumidas por toda a
comunidade escolar.

Para Edson D’Addio, pedagogo formado pela Universidade de São Paulo e diretor pedagógico dos Anos Finais do Ensino
Fundamental, o documento não nasce do zero. Ele organiza, dá nome e força a uma
cultura de respeito e cuidado que já existia, dialogando diretamente com o
Estatuto da Criança e do Adolescente. Ao definir responsabilidades de forma objetiva, reduz
zonas cinzentas e fortalece um ambiente ético e seguro.

A proposta também segue orientações internacionais, como as da
Unicef, que recomenda protocolos específicos para lidar com as
vulnerabilidades da infância e da adolescência. Ao tornar pública essa política,
a escola amplia a confiança das famílias e reforça a ideia de corresponsabilidade:
independentemente da função, todos os educadores passam a responder pelo cuidado
de todos os estudantes.

O psicólogo e educador Antonio Oliveira, também coordenador pedagógico da escola, destaca que a
iniciativa parte do reconhecimento de algo essencial: a escola é um espaço de
relações humanas complexas. Diferenças, limites e conflitos fazem parte do dia a
dia, e lidar com isso exige mais do que boa vontade. Exige critérios, linguagem
comum e práticas consistentes para que situações de violência não sejam
naturalizadas nem silenciadas.

Na prática, o Documento de Salvaguarda ajuda a organizar o cotidiano escolar,
definindo limites, zonas de atenção e caminhos de ação. Também aborda temas
contemporâneos, como o cyberbullying, cujos efeitos ultrapassam os muros da
escola. Quando esses episódios chegam ao conhecimento da instituição, há
diretrizes para mediação de conflitos, práticas restaurativas e educação
midiática.

Mais do que um texto formal, a proposta é tratada como um instrumento vivo, que
exige formação continuada e diálogo constante. Em um tempo em que adolescentes
buscam referências seguras, transformar confiança em política pode ser um dos
gestos mais concretos que a escola pode oferecer.

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