sex. fev 6th, 2026

A cidade do Carnaval mais açucarada da Itália: aqui não se jogam confetes, mas balas

Na Itália, o Carnaval é uma pausa coletiva. Por alguns dias, as cidades deixam de ser apenas lugares para viver e se transformam em palcos a céu aberto. Tudo se inverte com leveza. Cada território tem sua forma de celebrar: sátira, carros alegóricos, fantasias históricas. E existe uma cidade que transformou a doçura em identidade. Ali, o Carnaval não se assiste apenas. Ele se pega do chão, com as mãos cheias.

Isso acontece em Fano, na região das Marcas. E é por isso que ela é considerada a cidade mais açucarada do Carnaval italiano.

Em Fano, os confetes são quase figurantes. O centro da festa é o Getto. Não é apenas um “lançamento de balas”, mas um ritual aguardado, preparado e vivido com intensidade. Durante o desfile dos carros alegóricos, o público se aproxima e levanta as mãos como se estivesse prestes a começar uma chuva. Só que, em vez de água, caem doces.

Todos os anos, cerca de 180 toneladas de balas e chocolates são lançadas dos carros. Crianças com cones de papelão, adultos que voltam a ser crianças sem constrangimento, famílias inteiras organizadas com sacolas e mochilas. Parece uma cena inventada. Mas é simplesmente o Carnaval de Fano acontecendo.

O Getto não é um detalhe: é o motivo pelo qual as pessoas vêm à cidade. É o instante em que Fano se reconhece, ri de si mesma e transforma a festa em experiência coletiva.

A identidade do Carnaval fanese passa também pelo Vulón, a máscara-símbolo da cidade. Irônica, provocadora, exagerada. Não é decorativa, nem nostálgica. É parte viva da cultura local. Em Fano, as máscaras não são adereços: são assinatura.

E o mais curioso é que o clima do Carnaval se espalha além do desfile. Está nos bares, nas praças, nas conversas que giram em torno do mesmo compromisso: “nos encontramos no Getto”. Há quem chegue cedo, quem reserve lugar, quem estude onde caem mais doces, quem leve crianças e depois entre na disputa com elas, sem pudor.

Fora do Carnaval, Fano continua valendo a visita. A cidade tem uma forte herança romana, visível no Arco de Augusto, ligado à antiga Via Flaminia. O centro histórico é compacto e agradável para caminhar, com a Piazza XX Settembre como ponto de encontro. O Teatro della Fortuna e o Palazzo Malatestiano revelam uma Fano elegante, que vai além da imagem de cidade litorânea. E o mar está logo ali: mesmo no inverno, uma caminhada pela orla fecha o roteiro com o Adriático ao fundo.

Chegar a Fano é simples. De trem, a cidade está na linha ferroviária do Adriático, com conexões frequentes a partir de Bolonha, Ancona e Pescara. De carro, o acesso é direto pela autoestrada A14, saída Fano. Para quem chega de avião, os aeroportos de Ancona e Rimini são os mais próximos, com fácil deslocamento por estrada ou trem.

Fano não é apenas uma cidade que festeja. É uma cidade que transformou um gesto simples jogar uma bala em rito coletivo. E talvez seja por isso que o seu Carnaval gruda na memória. E nas mãos.

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