Roma tenta se imaginar diferente. Menos ruidosa, menos dura, mais respirável. No coração da capital italiana, no trecho desativado da Tangenziale Est, ganha forma a Tangenziale Verde: um parque linear de cerca de dois quilômetros que substitui a infraestrutura viária por um novo espaço público pensado para as pessoas.
Não se trata apenas de um projeto de requalificação urbana, mas de uma verdadeira mudança de paradigma. A ideia central é a do Urban Health, uma abordagem que conecta diretamente a qualidade do espaço urbano à saúde física, mental e social de quem vive a cidade. Onde antes passavam carros, agora surgem árvores, percursos para pedestres e ciclistas, áreas de permanência e espaços dedicados ao encontro e ao tempo desacelerado.
A Tangenziale Verde nasce como uma costura urbana. Uma faixa verde capaz de reconectar bairros historicamente separados pela infraestrutura viária, devolvendo continuidade ao tecido da cidade e criando novas relações entre pessoas, serviços e natureza. É um projeto que dialoga com grandes experiências europeias de reconversão de infraestruturas obsoletas, mas o faz com uma sensibilidade profundamente romana: estratificada, complexa e inevitavelmente pública.
Em uma cidade frequentemente sufocada pelo trânsito e pela escassez de áreas verdes de proximidade, o parque linear se torna um dispositivo social antes mesmo de paisagístico. Um lugar para caminhar, parar, atravessar, viver. Uma infraestrutura “suave” que substitui o ruído pelo tempo e a velocidade pela relação.
A Tangenziale Verde conta a história de uma Roma que tenta se cuidar, repensando a si mesma a partir do espaço coletivo. Não é o apagamento do passado, mas a sua transformação: o asfalto não desaparece, muda de função. E com ele muda também a ideia de cidade, cada vez menos máquina e cada vez mais corpo vivo.

