A violência entre adolescentes deixou de ser um episódio isolado para se tornar parte do cotidiano italiano. Brigas filmadas e divulgadas nas redes sociais, agressões em grupo, as chamadas baby gang, e até crimes cometidos dentro das escolas alimentam um debate cada vez mais urgente: como conter uma geração exposta, desde cedo, a uma cultura da violência que parece normalizada.
O alerta mais recente vem de uma pesquisa do portal Skuola.net, realizada com 1.500 jovens entre 10 e 25 anos. O dado que mais chama atenção é simbólico: 6 em cada 10 estudantes se dizem favoráveis à instalação de detectores de metal nas escolas, especialmente após episódios dramáticos como o assassinato de um aluno esfaqueado por um colega em La Spezia, em janeiro deste ano. Um fato que chocou o país e reacendeu o debate sobre segurança no ambiente escolar.
Mas o problema vai além dos portões das escolas. Segundo o estudo, conteúdos violentos fazem parte da “dieta midiática” de adolescentes e jovens adultos. Para 27%, esse tipo de material aparece quase todos os dias; para outros 37%, com muita frequência. Séries, músicas, videogames e redes sociais expõem os jovens a desafios criminosos, armas, agressões e narrativas que exaltam a força e a intimidação. Apenas 9% afirmam nunca ter contato com esse tipo de conteúdo.
O risco maior, apontam os próprios entrevistados, é a normalização da violência. Sete em cada dez acreditam que a exposição constante pode banalizar ou até incentivar comportamentos agressivos. Para 17%, essa é a principal causa da escalada de violência juvenil; para 53%, uma das causas centrais. Apenas 30% descartam qualquer relação direta.
Esse cenário ajuda a explicar o crescimento das baby gang em várias cidades italianas, de Milão a Nápoles, passando por Roma e Turim. Grupos de adolescentes que se organizam para intimidar, roubar ou agredir, muitas vezes em busca de visibilidade online. Especialistas alertam que reduzir o fenômeno a rótulos simplistas, como o termo “maranza”, frequentemente associado de forma preconceituosa a jovens de origem estrangeira, não resolve o problema. A violência atravessa classes sociais, origens e territórios.
Diante desse quadro, cresce entre os jovens o apoio a medidas mais rígidas. Além dos detectores de metal, muitos defendem punições severas para menores flagrados com facas ou objetos perigosos, incluindo sanções como suspensão de documentos. Para Daniele Grassucci, diretor do Skuola.net, o combate à violência precisa ir além do espaço físico. “Hoje a criminalidade organizada recruta pelas redes sociais. O controle deve existir também no domínio mediático”, afirma.
Ao mesmo tempo, educadores e especialistas insistem que repressão sozinha não basta. Investir em esporte, atividades culturais, espaços de convivência e educação emocional é visto como essencial para oferecer alternativas reais a jovens que crescem em um ambiente saturado de mensagens agressivas. Em uma Itália que observa com preocupação seus adolescentes, o desafio é claro: proteger sem sufocar, educar sem ignorar, e agir antes que a violência deixe de ser exceção para se tornar regra.
Violência entre baby gangs e facas: os jovens italianos pedem metal detector nas escolas

