seg. jan 19th, 2026

A região Piemonte investe nas origens e aposta nos descendentes espalhados pelo mundo

A memória da emigração piemontesa ganha novo fôlego institucional. A Região do Piemonte aprovou um investimento de 300 mil euros para fortalecer os laços com os piemonteses que vivem fora da Itália, uma decisão incluída no Orçamento de Previsão 2026–2028 e aprovada pela Terceira Comissão do Conselho Regional. Mais do que um gesto simbólico, trata-se de uma política que olha para o passado com olhos voltados para o futuro.

Segundo o assessor regional Maurizio Marrone, o objetivo é manter vivos os vínculos culturais, sociais e identitários com as comunidades de origem piemontesa espalhadas pelo mundo. Um universo amplo: estima-se que cerca de seis milhões de pessoas de origem piemontesa vivam hoje fora da Itália, resultado de fluxos migratórios intensos entre o final do século XIX e o início do século XX. A Argentina foi historicamente o principal destino, mas o Brasil também recebeu, ao longo das décadas, milhares de famílias vindas do Piemonte, muitas delas integradas às grandes correntes da imigração italiana no Sudeste e no Sul do país.

Os recursos servirão para apoiar instituições-chave dessa memória coletiva, como o Museu Regional da Emigração dos Piemonteses no Mundo, em Frossasco, e o Museu da Emigração Vigezzina, em Santa Maria Maggiore. Também estão previstos incentivos às associações piemontesas no exterior, que atuam como pontes vivas entre os descendentes e a terra de origem.

Nesse contexto, ganha força o chamado turismo das raízes, tema que a Itália vem tratando como estratégico e sobre o qual já falamos recentemente. A ideia é transformar a busca pela própria história em experiência concreta: viagens aos vilarejos de origem, reencontro com sobrenomes, arquivos, tradições e paisagens familiares. O público-alvo são, sobretudo, os jovens descendentes que desejam entender de onde vieram suas famílias e como essa herança moldou suas identidades.

Entre as iniciativas culturais está o festival “Radici”, promovido pela Fondazione Circolo dei Lettori, que propõe reflexões sobre identidade, migração e convivência entre comunidades. Já o “Viaggio del ricordo”, voltado a estudantes do ensino médio, aprofunda a história do êxodo istriano e da chegada de refugiados ao Piemonte, conectando diferentes capítulos da mobilidade humana.

Para o Brasil, onde a imigração italiana deixou marcas profundas na cultura, na gastronomia e na vida social, esse movimento ressoa de forma especial. Investir nas raízes significa reconhecer que a emigração não é apenas um fato histórico, mas uma herança viva, capaz de gerar encontros, viagens, pertencimento e novos laços entre gerações separadas pelo oceano, mas unidas pela mesma origem.

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