Existem lugares que crescem sem alarde, longe dos grandes circuitos turísticos, mas profundamente conectados aos novos desejos de quem viaja. Terricciola é um desses casos. Em 2025, o pequeno município da província de Pisa se consolida como um dos destinos emergentes da Toscana, e os números deixam isso claro.
De acordo com os dados oficiais da plataforma Smart Region Toscana, entre julho e outubro Terricciola recebeu 156.634 visitantes e turistas, um aumento de +74,63% em relação ao mesmo período de 2024. Considerando os meses de abril a outubro, o total chega a 214.903 presenças, com crescimento de +64,02%. Não é apenas uma boa temporada: é uma virada estrutural.
O crescimento envolve tanto turistas que pernoitam quanto visitantes de um dia, especialmente italianos, atraídos pela oferta enogastronômica, cultural e pelos eventos espalhados ao longo do ano. Ao mesmo tempo, aumenta o número de estrangeiros que escolhem ficar mais tempo, sinal de uma atratividade que ultrapassa as fronteiras nacionais.
Terricciola está situada entre as suaves colinas da Valdera, em um território moldado pela viticultura e pela história. Disputada no passado por Pisa e Florença, conserva uma identidade única, que vai ainda mais longe no tempo, até a presença etrusca, visível em sítios arqueológicos como as necrópoles de Soiana e Morrona.
Caminhar pelo centro histórico é percorrer ruas estreitas, mirantes naturais e igrejas que guardam obras de arte surpreendentes. Ao redor, as frações revelam uma Toscana mais íntima, onde o vinho é cultura, linguagem e ponto de encontro. Festas como a Festa da Uva e do Vinho, a Notte Bianca del Vino e Calici di Stelle transformam o calendário em uma narrativa contínua do território.
Os arredores completam a experiência com destinos próximos e complementares, como Peccioli, que une tradição e arte contemporânea, e Lajatico, sede do Teatro del Silenzio, onde a música dialoga com a paisagem em um cenário único.
Uma forma ainda mais autêntica de entender Terricciola: sentar-se à mesa e depois caminhar. Porque aqui o turismo passa pelo sabor e pelo movimento, pelo tempo dilatado de uma refeição bem feita e pelo ritmo lento das trilhas entre as colinas.
A gastronomia fala uma Toscana direta, sem encenação. Nos restaurantes e festas locais surgem pratos profundamente ligados à terra: pici feitos à mão com ragu de javali ou de pato, sopas de legumes e grãos que lembram a cozinha das casas antigas, trippa e peposo que contam a história de uma tradição camponesa resistente. O coelho em porchetta, aromatizado com ervas locais, surpreende quem chega pela primeira vez, enquanto embutidos artesanais e queijos acompanham naturalmente cada taça. E o vinho está sempre presente, não como detalhe, mas como identidade: os rótulos das Terre di Pisa dão sentido às mesas longas e às conversas que se estendem.
Fora da mesa, Terricciola convida a explorar. As colinas ao redor do borgo oferecem caminhos ideais para caminhadas e passeios de bicicleta, entre vinhedos, estradas de terra e paisagens abertas sobre o vale do Era. Os percursos ligam Terricciola às suas frações e às áreas rurais vizinhas, em um mosaico de natureza, silêncio e vistas amplas.
É nesse equilíbrio entre sabor e caminho que Terricciola revela sua força. O recorde de visitantes em 2025 não apagou sua essência rura ao contrário, tornou visível um território que oferece exatamente aquilo que muitos viajantes procuram hoje: uma Toscana vivida com calma, autenticidade e profundidade.
Terricciola não cresce por acaso. Cresce porque soube apostar em um turismo equilibrado, ligado às pessoas, à terra e às histórias locais. Os números de 2025 confirmam o sucesso, mas o verdadeiro encanto está na sensação de descoberta que o visitante leva consigo. Um borgo para ser vivido sem pressa, onde cada colina, cada taça de vinho e cada conversa fazem parte do mesmo racconto toscano.

