Há anos, na Itália, o Bràulio vem conquistando espaço entre os licores e amari mais procurados e apreciados. Aos poucos, quase como quem escala uma montanha, chegou ao topo entre as bebidas mais queridas pelos italianos. E não é por acaso que é definido como um licor alpino: ele nasce no coração da Valtellina, em um território dominado e cercado pelos Alpes, aos pés do Parque Nacional do Stelvio.

Seu nome vem do Monte Braulio, uma das montanhas que caracterizam essa região da Lombardia, onde natureza, altitude e tradição contribuem para dar vida a um dos amari mais reconhecidos do cenário italiano. O Bràulio é produzido a partir de uma mistura de ervas, frutas e raízes, seguindo uma receita única composta por ingredientes naturais. O ambiente alpino e as temperaturas das montanhas acompanham o processo de maturação e envelhecimento, ajudando a criar um sabor intenso e difícil de esquecer.

Envelhecido em barris de madeira, o Bràulio passa por um processo de maturação de aproximadamente dois anos. Já a versão Riserva permanece cerca de três anos envelhecendo, desenvolvendo um caráter ainda mais intenso e marcante. Ao degustá-lo, é possível perceber aromas e sabores que remetem diretamente à natureza e às montanhas da Valtellina. Entre as ervas e ingredientes botânicos que contribuem para seu perfil aromático estão a mil-folhas, as bagas de zimbro, o absinto e as raízes de genciana.

Sua cor é marrom-âmbar, com leves tonalidades acobreadas, enquanto seu teor alcoólico é de aproximadamente 21%. Trata-se de um digestivo que pode ser consumido gelado ou em temperatura ambiente. Seu sabor intenso e característico faz dele uma bebida de personalidade forte, capaz de se destacar mesmo sem grandes combinações com outras bebidas alcoólicas. Na Valtellina também é servido um drink chamado Fraelino, uma mistura de grappa com Bràulio que representa uma das interpretações mais ligadas à tradição local.

A história desse amaro tem suas raízes no século XIX. Como aconteceu com muitos outros licores e amari italianos, tudo começou em uma farmácia local. O doutor Giuseppe Peloni, químico e farmacêutico, dedicava-se à preparação de xaropes e infusões, utilizando principalmente as ervas que cresciam em abundância nas montanhas da Valtellina. Essa paixão foi posteriormente transmitida ao filho, Francesco, que continuou o trabalho do pai, experimentando novas infusões e preparações à base de ervas. Foi justamente Francesco Peloni quem, em 1875, criou o Amaro Braulio. E, assim como seu pai Giuseppe havia feito com ele, Francesco também transmitiu a receita e a paixão para a geração seguinte, entregando esse legado ao filho Attilio.

Attilio contribuiu para ampliar a divulgação do amaro ao participar de feiras na Itália e no exterior, entrando em contato com alguns dos principais especialistas e produtores de amari da Europa. Com o passar do tempo, o Bràulio se tornou muito mais do que um simples licor. Tornou-se um produto profundamente ligado ao seu território, à história da Valtellina e às montanhas que continuam, ainda hoje, a influenciar seu caráter.

Agora, quando decidirem viajar pelo Norte da Itália ou passar a temporada de inverno nas pistas de esqui, façam uma pausa. Aproveitem a paisagem dos Alpes e permitam-se provar um verdadeiro amaro alpino. Porque, às vezes, até mesmo uma taça pode contar a história de uma montanha.

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