Cocomerai, os tradicionais quiosques de melancia, símbolo do verão italiano, que estão desaparecendo

Todos os italianos nascidos e criados na Itália conhecem os cocomerai, mas, para quem vem de outros países ou nunca ouviu falar dessa tradição, quem são eles?

Os cocomerai são quiosques sazonais espalhados por diversas cidades italianas, principalmente nas localidades turísticas e litorâneas. Antigamente eram muito numerosos e faziam parte da paisagem do verão italiano; hoje, aos poucos, estão desaparecendo.

Mas o que eles vendem? O grande protagonista é o cocomero, conhecido em português como melancia, a fruta símbolo do verão na Itália. Esses quiosques vão muito além de um simples ponto de venda: são locais de encontro, refúgio nas noites de calor intenso e espaços onde, durante décadas, gerações de jovens se reuniram para saborear uma fatia de melancia e passar horas conversando entre amigos.

As grandes fatias de melancia sempre foram a marca registrada desses estabelecimentos. No passado, os preços eram bastante populares, normalmente entre 1 e 2 euros por fatia. Hoje, devido ao aumento dos custos, o valor pode chegar a 5 euros. A fruta costuma ser servida de diferentes formas: em fatias tradicionais, cortada em cubos dentro de copos ou em fatias triangulares.

Os cocomerai foram, e em parte continuam sendo, importantes pontos de convivência. Para muitos jovens, simbolizam o fim das aulas, o início das férias de verão, a liberdade, a amizade e as longas noites compartilhadas ao ar livre. São inúmeras as lembranças associadas a esses lugares, provando que muitas vezes as experiências mais simples acabam sendo as mais marcantes.

Entre os cocomerai mais conhecidos de Florença, além do tradicional do bairro Campo di Marte, destaca-se o da Certosa, localizado na Via Senese. É ali que trabalha Valerio Lo Buono, um dos últimos representantes desse ofício na cidade, vendendo melancias e outras frutas frescas.

Parar em seu quiosque significa muito mais do que comprar uma fruta. É uma oportunidade para conversar, fazer uma pausa e vivenciar um ambiente acolhedor que representa uma das tradições mais autênticas da Itália. Não por acaso, muitos clientes retornam todos os verões.

Valerio começou a trabalhar como cocomeraio aos 16 anos, ao lado do pai. A decisão veio depois de deixar a escola e concluir o serviço militar. Seu pai iniciou a atividade no bairro Statuto, em Florença, utilizando uma pequena Ape adaptada para vender melancias. Mais tarde, a família adquiriu uma banca no bairro popular de Novoli.

Em 2008, com o início das obras do sistema de bonde da cidade, Valerio precisou vender o antigo quiosque.

“Eu pensava em mudar de profissão e comprar um pequeno mercado, mas me ofereceram a administração do histórico cocomeraio da Certosa e decidi aceitar para dar continuidade ao negócio da família.”

Até poucos meses atrás, sua mãe, Serafina, também trabalhava ao seu lado.

A trajetória da família sempre foi marcada por muito esforço, como o próprio Valerio relata:

“Para mim, o verão significa viver atrás deste balcão. De maio a setembro, meus dias terminam à meia-noite e recomeçam poucas horas depois. Volto para casa, em Castelnuovo d’Elsa, tomo um banho e por volta da uma e meia da madrugada sigo para o mercado de Novoli para comprar as melancias. Depois durmo apenas algumas horas e tudo começa novamente.”

As melancias vendidas por ele vêm principalmente da região de Mântua, considerada uma das referências italianas na produção da fruta.

“São as melhores”, afirma Valerio, que divide o trabalho com o irmão Fabio.

Nas últimas cinco décadas, a profissão de cocomeraio diminuiu drasticamente.

“Antes existiam muitas bancas; hoje restaram pouquíssimas. Em Florença, os únicos que ainda vendem melancia em fatias praticamente são o meu quiosque e o da Passerella delle Cascine. Os jovens já não querem mais seguir essa profissão, porque exige muito sacrifício e jornadas longas. Além disso, hoje as pessoas compram melancia diretamente nos supermercados e, com isso, perde-se também o contato humano que sempre caracterizou esse trabalho.”

Talvez seja justamente por isso que os cocomerai continuem despertando tanta nostalgia. Eles não vendem apenas melancia, mas preservam um pedaço da história das cidades italianas e das lembranças de verão de milhões de pessoas. Cada quiosque que fecha as portas leva consigo um espaço de convivência, uma tradição popular e um pequeno ritual que, durante décadas, marcou as noites de verão na Itália. Manter viva essa cultura significa preservar também parte da identidade italiana, construída sobre a simplicidade, o convívio entre as pessoas e o valor das relações humanas.

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