Filas, voos perdidos e polêmicas: o novo controle biométrico virou dor de cabeça nos aeroportos da Europa

O verão europeu ainda nem começou oficialmente e um dos temas mais comentados entre companhias aéreas, aeroportos e passageiros já não tem relação com greves, bagagens ou preços das passagens. O protagonista das discussões é o novo sistema biométrico de controle de fronteiras da União Europeia, conhecido como EES (Entry/Exit System), que desde abril vem provocando longas filas, atrasos e uma onda de críticas em diversos aeroportos do continente.

Criado para reforçar a segurança das fronteiras externas do espaço Schengen, o EES substitui os tradicionais carimbos no passaporte por um registro digital que coleta fotografia facial, impressões digitais e informações de entrada e saída dos viajantes não europeus. O objetivo é modernizar o controle migratório e monitorar de forma mais precisa os períodos de permanência dos visitantes.

Na prática, porém, a fase inicial da implementação tem sido marcada por dificuldades operacionais. Em aeroportos da Itália, França, Alemanha, Bélgica, Espanha e Grécia foram registradas filas que chegaram a três horas ou mais nos controles de passaporte, especialmente nos momentos de maior movimento. Em alguns casos, passageiros perderam voos após ficarem retidos nos procedimentos de identificação biométrica.

A situação gerou forte reação das companhias aéreas. A Ryanair tornou-se uma das vozes mais críticas do novo sistema e chegou a pedir formalmente ao governo italiano a suspensão temporária dos controles biométricos até o fim do verão europeu. Segundo a empresa, muitos aeroportos ainda não dispõem de infraestrutura, pessoal e equipamentos suficientes para lidar com o novo fluxo de passageiros.

Os problemas não se limitam à Itália. Autoridades aeroportuárias europeias alertaram que os atrasos podem continuar por meses e que o sistema ainda precisará de um longo período de adaptação. Representantes do setor chegaram a afirmar que a operação pode levar até dois anos para atingir um funcionamento plenamente estável.

O tema ganhou destaque especialmente em destinos turísticos muito procurados durante o verão, como Roma, Milão, Paris, Barcelona e Lisboa. Relatos de passageiros descrevem horas de espera, dificuldades técnicas nos quiosques de autoatendimento e procedimentos repetidos mesmo para quem já havia realizado o registro biométrico anteriormente.

Apesar das críticas, Bruxelas e o governo italiano não demonstram intenção de recuar. A Comissão Europeia sustenta que o sistema é fundamental para a segurança das fronteiras e afirma que, na maioria dos países, a operação funciona dentro dos parâmetros previstos. Roma, por sua vez, segue aplicando as novas regras enquanto trabalha para ampliar a capacidade operacional dos aeroportos.

Existe apenas uma margem de flexibilidade prevista pela legislação europeia, que permite suspensões temporárias e localizadas em situações de congestionamento extremo. Isso, porém, está longe de representar uma interrupção geral do sistema.

Para os viajantes brasileiros, a recomendação é simples: chegar aos aeroportos com mais antecedência do que o habitual. Pelo menos neste primeiro verão do EES, a promessa de uma fronteira mais digital ainda convive com um desafio bastante analógico: a fila.

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