O Brasil voltou a aparecer no centro de uma investigação ligada à máfia siciliana. A Justiça italiana condenou Giuseppe Calvaruso, apontado como ex-chefe do mandamento mafioso de Pagliarelli, em Palermo, a 12 anos de prisão por um esquema de movimentação e lavagem de dinheiro que teria conectado a Sicília ao nordeste brasileiro.
Segundo a investigação da Direção Distrital Antimáfia de Palermo, os negócios se concentravam principalmente no estado do Rio Grande do Norte, região que desde os anos 2000 atrai investidores europeus interessados em resorts, hotéis e empreendimentos turísticos voltados ao mercado internacional.
Além de Calvaruso, também foram condenados Giovanni Caruso, considerado braço direito do mafioso, e Rosa Anna Simoncini, acusada de atuar como transportadora de dinheiro entre Brasil e Itália. De acordo com os investigadores, valores em espécie chegavam a ser escondidos em roupas para atravessar fronteiras.
O caso se conecta ainda a outro nome histórico da máfia italiana: Matteo Messina Denaro, ex-chefe da Cosa Nostra morto em 2023. As autoridades italianas apontam que parte das declarações do empresário Giuseppe Bruno, atualmente preso no Brasil e colaborador da Justiça italiana, ajudaram a reconstruir os vínculos entre operações financeiras no Brasil e redes mafiosas ligadas ao grupo de Castelvetrano, na Sicília.
As investigações identificaram movimentações estimadas em cerca de 50 milhões de euros. O dinheiro, segundo os magistrados, teria origem em atividades criminosas como extorsão e seria reinserido na economia formal através de empresas e investimentos internacionais.
O esquema teria utilizado uma estrutura complexa de companhias espalhadas por diferentes países, incluindo Suíça e Singapura, dificultando o rastreamento das operações financeiras. A apuração foi conduzida pelo Gico da Guardia di Finanza, unidade especializada italiana em crimes financeiros e combate à lavagem de dinheiro.
Nos últimos anos, autoridades italianas têm ampliado o monitoramento sobre conexões internacionais da máfia, especialmente em setores ligados ao turismo, construção civil e mercado imobiliário. O Brasil, pela dimensão econômica, pelo fluxo internacional de capitais e pelo interesse estrangeiro no litoral nordestino, aparece ocasionalmente em investigações desse tipo envolvendo redes criminosas transnacionais.
Segundo a reconstrução feita pelos investigadores italianos, Calvaruso teria continuado administrando parte dos negócios criminosos a partir do Brasil até 2021, quando foi preso ao desembarcar novamente na Sicília, no aeroporto Falcone Borsellino, em Palermo.
Máfia siciliana e Brasil: condenação revela rede de lavagem milionária

