A busca pela cidadania italiana, sonho de milhões de brasileiros descendentes de imigrantes, voltou ao centro de uma grande investigação policial no Brasil. A Polícia Federal deflagrou nesta semana uma operação contra um grupo suspeito de montar um esquema de falsificação de documentos para facilitar a migração irregular de brasileiros para a Europa usando supostos vínculos familiares com cidadãos italianos.
A ação ocorreu entre os estados do Espírito Santo, Rio de Janeiro e Goiás, com mandados de busca e apreensão em cidades como Cachoeiro de Itapemirim, Marataízes, Rio de Janeiro e Goiânia. Além das buscas, a Justiça determinou retenção de passaportes, bloqueio de bens e restrições para saída do país.
Segundo a investigação, a organização utilizaria registros cartoriais falsificados ou adulterados para criar artificialmente parentescos com famílias italianas, permitindo pedidos irregulares de cidadania e posterior entrada legal na União Europeia.
O caso chama atenção porque toca em um tema extremamente sensível no Brasil: a forte ligação histórica com a imigração italiana. Estima-se que mais de 30 milhões de brasileiros tenham algum grau de ascendência italiana, especialmente em estados como São Paulo, Espírito Santo, Rio Grande do Sul e Santa Catarina.
Nos últimos anos, o número de pedidos de reconhecimento de cidadania explodiu, impulsionado pelo interesse em estudar, trabalhar ou viver na Europa. Esse crescimento também abriu espaço para um mercado paralelo de assessorias e intermediários, alguns deles investigados por prometer processos rápidos mediante documentos manipulados ou genealogias falsas.
De acordo com a PF, a operação desta semana é um desdobramento de investigações iniciadas em 2021. Os investigadores também apuram a hipótese de que um incêndio ocorrido em um cartório de Itapemirim, em 2022, possa ter sido provocado para destruir provas relacionadas ao esquema. Celulares, registros e documentos foram apreendidos e serão submetidos à perícia.
Os investigados podem responder por associação criminosa, promoção de migração ilegal, falsificação de documentos públicos, falsidade ideológica, corrupção e outros crimes.
O tema tem repercussão também na Itália, onde autoridades vêm endurecendo controles sobre processos de cidadania diante do aumento de casos suspeitos envolvendo documentos produzidos na América Latina.
Nos últimos anos, consulados italianos no Brasil passaram a exigir verificações mais rigorosas em certidões e árvores genealógicas apresentadas por requerentes. A investigação segue em andamento e a Polícia Federal não descarta novas fases da operação.
PF investiga fraude em cidadania italiana e migração ilegal à Europa

