O David de Michelangelo Buonarroti é talvez a estátua mais famosa do mundo, admirada todos os anos por milhões de turistas na cidade onde se encontra. O David original está conservado na Galleria dell’Accademia, localizada perto da Piazza San Marco, em Firenze, enquanto fora dela existem duas cópias: a mais famosa na Piazza della Signoria e outra, de dimensões menores, no Piazzale Michelangelo, também em Florença.
Mas hoje quero contar como nasceu o David e, mais especificamente, de onde ele surgiu.
Essa obra de arte, de formas harmoniosas e hiper-realistas, foi criada pelas mãos e pela mente do grande Michelangelo Buonarroti.
O David nasce de um bloco de mármore que ninguém queria. Exatamente assim. Esse bloco, proveniente das famosíssimas pedreiras de Carrara, ficou exposto à chuva e às intempéries por mais de 40 anos, isso mesmo. Ele havia sido colocado ao lado da Opera del Duomo; as pessoas passavam e ninguém o observava: era um simples e insignificante bloco de mármore abandonado.
Tudo começa em 1464, quando a Opera del Duomo, uma espécie de consórcio das belas-artes, encomenda uma estátua colossal a Agostino di Duccio. O bloco de mármore era gigantesco, com 5 metros de altura, apelidado de “o Gigante”. Agostino não tinha o talento de Michelangelo Buonarroti: começou a obra muito mal, danificou a superfície e deixou rachaduras profundas. Foi imediatamente classificado como “male abbozatum et sculptum”, traduzido do latim: “entalhado mal, esculpido pior”.
Foi chamado um segundo escultor, Antonio Rossellino, convocado em caráter emergencial para salvar o que fosse possível, mas desistiu imediatamente. Observando o mármore, segundo o escultor, havia danos irreparáveis. A partir desse momento, o bloco foi abandonado por mais de 40 anos, exposto ao tempo e ao desgaste.
Chegamos a 1501: um jovem de 26 anos decide tentar. O bloco lhe é atribuído; ele ainda não tinha um currículo famoso, ninguém o conhecia. Foi acordado um pagamento de 400 ducados. Passaram-se 2 anos e 4 meses: em 25 de janeiro de 1504, a comissão, presidida por Leonardo da Vinci e Sandro Botticelli, juntamente com outros mestres da época, declarou a obra quase concluída.
Para transportá-la até a Piazza della Signoria foram necessários 40 homens e 4 dias. Michelangelo Buonarroti esculpiu sua obra mais famosa, a estátua mais admirada dos séculos futuros, a partir de um bloco descartado: onde ninguém acreditava, onde dois escultores haviam desistido de criar uma obra. Michelangelo era um fora de série de sua época: tornou-se uma estrela, o escultor mais requisitado por reis e papas. Tudo isso a partir de um bloco desgastado de 5.560 kg.
Existem diversos anedotas históricas sobre o David. A mais famosa tem como protagonistas o próprio Michelangelo e Piero Soderini, gonfaloneiro de Florença, uma espécie de prefeito nos termos atuais. Ele foi o primeiro a ser chamado para avaliar a obra: gostou, exceto pelo nariz, que considerava muito proeminente, grande demais.
Segundo a lenda, Michelangelo suspirou, pegou um pouco de pó do chão, subiu na escada e fingiu dar alguns golpes com o cinzel, deixando o pó cair lentamente.
Dessa forma, deu a Soderini a ilusão de que havia feito a modificação.
Michelangelo então perguntou a Soderini se agora estava bom. A resposta? “Sim, agora está perfeito”.
Em 1870 começou-se a pensar na necessidade de preservar melhor a obra. As intempéries e os possíveis danos externos, causados por pessoas e agentes naturais, levaram à decisão mais correta. Foram necessários 5 dias para transferi-la para a própria Galleria dell’Accademia.
Tudo isso ocorreu no ano de 1873.
Para admirar essa obra lendária, é necessário fazer reserva e adquirir o ingresso nas bilheterias oficiais pelo link

