Você sabia que Cremona, município italiano que faz parte da Lombardia, recebeu o reconhecimento da UNESCO? Mas por quê? Simples: para proteger os artesãos que criam e preservam um instrumento que todos conhecem… o violino. Em Cremona existem 167 oficinas de mestres e artesãos que preservam uma memória histórica, nascida com o lendário mestre Antonio Stradivari. No século XVI, Andrea Amati inventou a forma moderna do violino, mas o aperfeiçoamento desse instrumento se deve a Stradivari. Posteriormente, Giuseppe Guarneri del Gesù o levou a um nível ainda mais alto. Pense: esses três protagonistas que citei, onde nasceram? Em Cremona. No centro histórico da cidade existem nada menos que 167 oficinas, e tudo acontece sem o uso de maquinários.
São necessárias pelo menos 70 peças de madeira, todas montadas à mão, uma a uma. Os veios da madeira são todos diferentes, únicos.
Você acha que é um processo rápido? Está enganado.
Cada luthier produz, em média, 6 a 7 violinos por ano. A produção exige calma, profissionalismo e zero erros. A velocidade não é necessária, a pressa é proibida.
Séculos e séculos fizeram com que essa produção artesanal se tornasse única no mundo. Essa técnica, qualidade e arte foram transmitidas de geração em geração. Não podem ser replicadas no exterior.
Exigem anos e anos de estudo, aprendizado e técnica, que somente a prática pode transmitir. Os segredos são passados adiante.
Isso fez com que a cidade de Cremona recebesse o reconhecimento da UNESCO. Motivo pelo qual a própria região da Lombardia protege esse pequeno nicho de artesãos. São criados laboratórios e cursos; apenas a morte de um mestre pode interromper a transmissão de uma determinada técnica.
Mas por que os violinos de Antonio Stradivari são famosos no mundo inteiro? Porque valem milhões de euros.
A resposta está na excepcional qualidade sonora, caracterizada por uma potência e um equilíbrio tímbrico insuperáveis, segundo especialistas.
Stradivari aperfeiçoou as formas e proporções de seus violinos; até mesmo o verniz contribui para dar um toque diferente em relação a outros instrumentos.
Segundo especialistas e fontes oficiais, existem cerca de 650 exemplares no mundo.
Quer saber o valor de um único violino Stradivari? Então prepare-se.
Os preços começam entre 10 e 15 milhões de dólares em leilões, podendo chegar, para exemplares perfeitos, a 20 milhões de dólares.
Existe um exemplar específico, chamado “O Messias”, considerado um violino sem preço. Essa peça única pertence ao chamado período de ouro do mestre, que vai de 1700 a 1725. Fontes confirmadas relatam que esse violino permaneceu guardado na oficina do artista até sua morte. O nome “Messias” foi dado pelo violinista francês Alard durante uma conversa com o comerciante Luigi Tarisio, que era o proprietário desse lendário exemplar: “O seu violino, senhor Tarisio, é como o Messias para o povo judeu: é sempre esperado, mas nunca aparece”. Em 1890 foi adquirido pela liuteria Hill & Sons que, muitos anos depois, decidiu doá-lo ao Ashmolean Museum of Art and Archaeology no Reino Unido, com o objetivo de que fosse preservado como modelo para os futuros luthiers.

