Em Bérgamo, diante de um estádio lotado e de um silêncio inicial que pesava mais que qualquer canto em homenagem a Beppe Savoldi a Itália venceu a Irlanda do Norte por 2 a 0 e conquistou o direito de continuar acreditando. Ainda não é a Copa. É algo mais frágil: a possibilidade de voltar a ela.
O primeiro tempo é exatamente aquilo que a Itália temia: controle sem profundidade. Os italianos começam intensos, Dimarco tenta abrir o jogo cedo, mas a defesa norte-irlandesa se fecha e transforma a partida em um exercício de paciência. Retegui, Kean, Bastoni: tentativas, ideias, mas nenhuma ruptura real.
A Irlanda do Norte não constrói, mas resiste. E no futebol, resistir por tempo suficiente já é uma estratégia.
O problema não é técnico. É temporal. Quanto mais o tempo passa sem gol, mais o jogo muda de natureza. De oportunidade vira risco.
A virada vem no segundo tempo, mas não imediatamente. Começa com um erro. Retegui tem a chance clara e desperdiça cara a cara com o goleiro.
Aos 56 minutos, em uma jogada confusa, Tonali pega a sobra na entrada da área e finaliza forte. Não é bonito, mas necessário. Gol da Itália.
“Nem todos os jogos se vencem jogando melhor. Alguns se vencem decidindo antes dos outros.”
A partir daí, o jogo se abre. A Irlanda do Norte precisa sair, e a Itália encontra espaço. Gattuso mexe, aumenta a energia e o time cresce. Kean tenta várias vezes, Pio Esposito chega perto, mas o jogo ainda não está resolvido.
Até os 80 minutos.
Tonali constrói, Kean domina, dribla e finaliza. 2 a 0. Fim.
Não é só o gol que decide a partida. É o gesto. Porque naquela jogada existe tudo: técnica, confiança, decisão.
No final, a Itália controla. Sem pressa, sem desordem e com domínio emocional.
“Jogos decisivos não se ganham quando você marca. Se ganham quando você deixa de ter medo de não marcar.”
A Itália avança. Decidirá a vaga para a Copa contra País de Gales ou Bósnia, fora de casa, no dia 31 de março.

