seg. mar 9th, 2026

Brasil impulsiona crescimento do vinho italiano enquanto EUA recuam



Em meio à desaceleração de mercados tradicionais, o Brasil se destaca como um dos destinos mais dinâmicos para o vinho italiano. Em 2025, as importações brasileiras cresceram 3,5% em volume e 1,9% em valor, segundo dados do Nomisma Wine Monitor. O desempenho contrasta com o cenário global e reforça o papel estratégico do país sul-americano para o futuro do setor.

O crescimento do mercado brasileiro ganha ainda mais relevância porque ocorre no momento em que o principal destino do vinho italiano enfrenta dificuldades. Nos Estados Unidos, as exportações caíram cerca de 12% em valor em 2025, em um mercado que se estabilizou em aproximadamente 5,5 bilhões de euros. A queda foi influenciada principalmente pela desvalorização do dólar e pela aplicação de tarifas de importação.

Para reduzir o impacto dessas tarifas, produtores e importadores optaram por diminuir os preços médios das garrafas. Essa estratégia ajudou a evitar uma queda maior no volume vendido, mas reduziu o valor total das exportações.

Nos Estados Unidos, os vinhos tintos com denominação de origem de regiões tradicionais — como Toscana, Piemonte e Veneto — foram os mais afetados, com reduções superiores a 7% no valor exportado. Alguns segmentos, porém, conseguiram resultados melhores, como os vinhos brancos da Sicília e da Toscana, além do Prosecco, que manteve crescimento em volume.

Com a desaceleração americana, produtores italianos intensificaram a busca por novos mercados. No entanto, muitos deles também mostraram sinais de enfraquecimento. A China registrou queda nas importações totais de vinho, com retração superior a 15% para os rótulos italianos. O Japão, o Reino Unido e a Suíça também apresentaram redução nas compras.

Nesse cenário, o desempenho do Brasil chama a atenção. O país já é o principal mercado sul-americano para os vinhos italianos, e os dados indicam uma tendência de crescimento consistente.

Entre os rótulos mais vendidos no Brasil, os vinhos tintos da Toscana lideram em valor, mantendo uma forte presença no mercado premium. Já o aumento de volume é impulsionado principalmente pelos vinhos brancos da região do Veneto, que vêm conquistando espaço entre consumidores brasileiros.

Analistas do Wine Monitor destacam que esse movimento reforça a importância do Brasil como mercado de desenvolvimento para o vinho italiano. A expectativa é que essa tendência possa se fortalecer ainda mais com o avanço do acordo de livre comércio entre a União Europeia e o Mercosul, que prevê redução de tarifas e maior facilidade de acesso aos mercados.

Em um momento de transformação no comércio internacional do vinho, países com consumo em crescimento e interesse por produtos de qualidade — como o Brasil — passam a desempenhar um papel cada vez mais relevante para os produtores italianos.

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