ter. fev 24th, 2026

A Itália discute a criação de uma Autoridade nacional independente para garantir e valorizar oficialmente a sua cozinha, após o recente reconhecimento como patrimônio cultural imaterial da humanidade pela Unesco. A proposta nasceu no Senado italiano e pretende transformar o selo internacional em uma estratégia concreta de proteção, promoção e desenvolvimento.

Não se trata apenas de orgulho nacional. A culinária italiana movimentou 250 bilhões de euros no mundo em 2024, segundo dados do setor, com crescimento anual de 4,5%. O país soma ainda mais de 800 certificações entre DOP e IGP e registrou exportações agroalimentares recordes de 73 bilhões de euros no último ano.

Falar de cozinha italiana é falar de identidade. É o ritual da nonna preparando massa fresca no domingo, o azeite extravirgem escorrendo sobre o pão, o tomate cultivado em pequenas propriedades familiares, o vinho servido à mesa como parte da convivência.

A proposta da nova Autoridade prevê definir padrões coerentes com a história e a tradição do país, valorizar os aspectos saudáveis ligados à Dieta Mediterrânea, integrar critérios de sustentabilidade ambiental e garantir rigor científico nos processos de avaliação. A ideia é reforçar o posicionamento internacional do modelo gastronômico italiano, protegendo-o de imitações e distorções.

Os defensores do projeto destacam que o reconhecimento da Unesco não deve ser visto como um prêmio simbólico, mas como um selo global de reputação. A expectativa é que a valorização oficial da cozinha italiana gere impacto direto no turismo, na hotelaria, nos eventos e nas cadeias produtivas locais.

Estudos citados pelos promotores indicam que o fluxo turístico pode crescer entre 6% e 8% nos primeiros anos, com até 18 milhões de presenças adicionais em dois anos. A gastronomia, afinal, já é um dos principais motivos que levam viajantes a escolher a Itália como destino.

O projeto também aposta na formação de novos profissionais capazes de unir excelência culinária, segurança alimentar, sustentabilidade e preservação do patrimônio gastronômico nacional. Mais do que proteger receitas, a Itália quer proteger uma narrativa. A de que sua cozinha não é apenas produto, mas patrimônio vivo, feito de território, memória e afeto.


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